quarta-feira, 23 de junho de 2010

Deus Existe?



“Pois, andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio.” (At. 17.23)

Esta é uma pergunta interessante. Pergunta teológica, ou uma provocação filosófica?
Talvez uma pergunta pra ateu ou agnóstico nenhum botar defeito. De acordo com o teólogo alemão Emil Brunner sua resposta a esta questão é a seguinte:
“não! Deus não existe. O que existe são as montanhas, as árvores, as pedras. Deus não é uma coisa entre outras coisas. Deus não existe Deus É!” Ou o que diz Meillassoux: sobre a divina inexistência.

O desconhecido suplanta o conhecido. Aquilo que não conseguimos enxergar explica o que conseguimos enxergar. E esse mistério desconhecido e invisível é intencional e pessoal: Deus. Intencional: pois há uma coerência, finalidade junto as experiências de vida. Pessoal: por que existe uma conexão que é maior do que aquilo que eu sou. Deus é mais do que eu não menos, em tudo principalmente nos elementos invisíveis dos quais tomamos consciência: amar, pensar, crer, confiar e etc.
Pois é decepcionante admitir que não somos o centro do universo. Saber que precisamos sair do nosso estado infantil (não cronológico, mas intelectual ascético), entender que nossas necessidades, nosso apetite, nosso bem-estar, nosso conforto, aquilo que nos torna deuses e deusas, adorados, cultuados e servidos, se destrói quando admitimos que existe um Deus; portanto é melhor dizer que Ele não existe.O Ser infinito é maior do que eu que sou finito, Deus é: infinitamente mais do que tudo que pedimos ou pensamos, Deus não é só um substantivo Ele é! Também é verbo, porque Ele disse (ou Diz).
Não importa de qual ângulo observamos o mundo, se pelas variáveis cientificas ou religiosas, no âmbito da fé ou da razão. Existe um ponto de confluência a partir das experiências fundamentais descrevendo que há uma força, poder ou energia inefável que tudo sustenta, e muitos chamam de: Ser superior, ou poder Absoluto que sutenta todo universo, que eu prefiro chamar de Deus. E esse Deus desconhecido por muitos, negado por outros, quer relacionar-se conosco, pois essa é a sua essência relacional e coexistente. Pois o invisível só pode falar através e por meio do perceptível.
Assim como o apostolo Paulo declarou é deste Deus que eu quero anunciar e me relacionar, pois ele é tudo em todos. Jesus Cristo o Deus Encarnado disse a Tomé: “Felizes o que não viram mais creram.”

Autor: Israel A. ROcha

terça-feira, 30 de março de 2010

Igreja ir ou não?




“Não deixemos de congregar-nos, como é de costume de alguns; antes façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima. Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados;” (Hb 10.25-26)

“No inicio, a igreja era um grupo de homens [e mulheres] centrados no Cristo vivo.
Então a igreja chegou a Grécia e tornou-se uma filosofia.
Depois chegou a Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura.
E finalmente chegou à América e tornou-se um negócio”. (Richard Halverson)

Ir a igreja ou não? Eis a questão. Muitos de nós cristãos/ãs fomos ensinados desde a infancia ir a igreja com os nossos pais outros já não podem declarar o mesmo, para definirmos igreja é necessário um leve conhecimento sobre o que é igreja.
Para nós Cristãos/as, o conceito igreja, surje no AT através do povo hebreu e inicia-se com a comunhão e ajuntamentos, as tendas, até enfim chegar aos templos e sinagogas, o termo que aparece com mais frequencia é “Qaal” que de uma maneira simples traduzimos por ajuntamento/assembléia, lugar para se adorar a Deus e servir o próximo.
Não diferente Jesus Cristo sendo judeu, nascido em Nazaré, desde pequeno ia ao templo (Lc 2.46) e respeitava e conhecia a Lei. Porém quando iniciou seu ministério, deixou claro que não concordava com a instituição e a estrutura funcional do templo. Por não concordar com a instituição do templo e seu seguimento, proclamava o Reino de Deus nas casas, nos montes, nos pátios e nas planices, sem perder o costume de se reunir e proclamar anunciar (kerigma, koinonia, diaikonia).
Os apostolos e discipulos/as (seguidores de um modo geral) após a morte de seu Rabino, sofrem perseguições e fazem seus cultos em casas, cemitérios, catacumbas e lugares escondidos. Paulo conhecedor e participante do movimento de Jesus começa a dissiminar outros focos de cristianismo em comunidades para não judeus como Pedro fazia, mas para gentios e alguns proselitos. Outras cidades e provincias começam a conhecer o cristianimo não somente o Deus dos judeus, mas o judeu que foi Deus.
O termo utilizado no NT é (do grego εκκλησία [ekka lesia] e latim ecclesia) é uma instituição religiosa cristã separada do Estado. Cabia a igreja administrar o dinheiro do dízimo, construir templos, ordenar sacerdotes e muitas vezes mantê-los e repassar para seus crentes sua interpretação da Bíblia. Igreja também pode signifcar um templo cristão.
Hoje, existem igrejas que estão unidas com o estado, no contexto bíblico, o termo igreja pode designar reunião de pessoas, sem estar necessariamente associado a uma edificação ou a uma doutrina específica. Mas etimologicamente a palavra grega ekklesia é composta de dois radicais gregos: ek que significa para fora e klesia que significa chamados, no texto bíblico, no "Novo Testamento", a palavra Igreja aparece por diversas vezes, sendo utilizada como referência a um agrupamento de cristãos e não a edificações ou templos, nem mesmo a toda comunidade cristã em alguns momentos.
E ainda assim falar hoje sobre igreja é algo que muitas vezes causa de conceitos e preconceitos, quando falamos de igreja pensamos:
Lugar onde só tem gente louca, fanática e careta,
Lugar onde só se pede dinheiro e explora as pessoas,
Lugar que enriquece o pastor/a,
Lugar que se faz lavagem celebral,
Lugar arcaico e sem significado,
Lugar onde as pessoas julgam e condenam umas as outras,
Lugar cheio de regras e leis sem sentido,
Lugar de repressão.
Estas e outras disculpas são dadas para não estar na igreja e realmente a muitas igrejas que tem em sua visão estes preceitos, mas a igreja deve ser arauto e ter as ações de Cristo, pois ele mesmo condenou todo tipo de religiosisidade e não a religião, todo tipo de tradicionalismo e não a tradição, o movimento de Jesus foi uma religião mas não era abusivo. Existem igrejas, ainda sim poucas que não se preocupam com sua infra-estrutura e sim com as pessoas e com valores que não envelhecem. "O mundo é minha paroquia" já dizia Wesley, a igreja nunca foi e nunca será as quatro paredes, a Igreja somos nós o corpo de Cristo, o local onde nos reunimos é um anjutamento onde compartihamos nossos anseios, dúvidas, crenças, fé, respeito mutúo, onde nos unimos crendo que mesmo tão diferentes que somos, Deus nos uniu para sermos "Um" como Ele quer ser e é em nós. A igreja (Corpo de Cristo) é composta por pessoas, e pessoas são falhas, nunca existirá uma igreja perfeita, toda forma de perfeição existe só em Deus, mas podemos buscar sermos a cada dia melhores do já fomos e como estamos.
Igrejas que não são empresas nem negócios, mas verdadeiras pontes de amor e serviço que são os maiores sinais que Cristo nos ensinou. Quando vejo muitas estruturas chamadas de igreja fico apático, pois está totalmente fora da vontade de Deus, mas me alegro em saber que ainda existem igrejas comprometidas com o verdadeiro evangelho, lugares que realmente nos dão vontade de congregar, onde o Espírito de Deus realmente nos convida para momentos de transformação, liberdade e de sentido pleno. A igreja deve ser um sinal de transformação do individuo e da sociedade.

“Ora, o Senhor é o Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17)

Autor: ISrael Alcantara da Rocha

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Voltando-se para os Pecadores



“E elogiou o Senhor o administrador infiel, porque se houvera atiladamente, porque os filhos do mundo são mais hábeis na sua própria geração do que os filhos da luz”. (Lc 16.8)

E com pezar que leio este versículo da comunidade de Lucas e escrevo estas palavras. Pois desde o meu nascimento freqüento a igreja de Cristo juntamente com minha família, sou pastor por vocação e metodista por convicção.
Quando olho e reparo que anos se passaram e a cada dia me surpreendo como a igreja de Cristo precisa ser relevante, precisa passa por uma transformação, e porque não dizer uma conversão de caminho (metanóia). Pois ao analisamos esta pequena pericope que narra à parábola do administrador, dois sentimentos tomam-me por completo: felicidade e tristeza; fico feliz porque o que Cristo disse está muito a frente de sua época, ou seja não envelheceu, não ficou nem ficará ultrapassado, a sua misericórdia se renova a cada dia, e triste porque Jesus tem razão: “os filhos do mundo são mais hábeis... do que os filhos da luz”. Em outras palavras são mais espertos e sábios, literalmente melhores.
O texto apresenta neste versículo a raiz grega “fronímos ou fronimostenói” que quer dizer: “sabiamente/astúcia/prudência/sagaz/inteligente. O que Cristo declara é que precisamos aprender ser tabernáculos (lugar de culto/adoração) vivos.
Em minha adolescência na igreja encontrei amigos/as muito bem-intencionados/as, muitos deles/as assustadoramente queridos e carentes, mas muitas vezes oprimidos; cantávamos, chorávamos e nos abraçávamos dentro do mesmo teto piedoso, mas muitas vezes ali não estava o espírito de Jesus. Lembro-me que Deus teve misericórdia de mim, alguns anos da minha vida, neste período conheci pecadores diferentes de nós; que não se entregavam como nós da igreja a pecados mesquinhos como a hipocrisia, mentira e o orgulho, eles abriam mão desse amadorismo, tratavam a coisa em si, ou seja a sem-vergonhice mais vital, sensorial e carnal o que muitos chamam de “sexo, drogas e rock’roll”.
Compartilhei o mesmo recinto que pecadores de verdade, gente indecorosa, sensual, e altoindigente: drogados, homossexuais, bêbados, libertinos, prostitutas; poetas: safados, depravados, corruptos e lascivos. Habituei-me ao perfume da maconha, visitei os mais variados mócos, vi carreiras de cocaína se armarem e desaparecerem. Já vi altos e baixos, presenciei tudo e mais um pouco nessa vida. Fora uma cervejinha e outros... me mantive sóbrio e castro durante este período da minha vida (as orações de minha mãe me ajudaram muito).
O livro de Atos (provavelmente escrito por Lucas) e as cartas falam de “cristão que tinham tudo em comum” e eram de um só coração, Jesus falava de amar os inimigos, dar a outra face, emprestar sem esperar de volta, oferecer um banquete a quem não tem como retribuir. Paulo o apóstolo descreve um mundo sem preconceito de raça, sexo ou classe social. João discípulo amado descreve com clareza que “Deus é amor” e que esse amor lança fora todo o medo ou traço de temor.
Este mundo que a Bíblia descreve, poucos cristãos chegam a experimentar, escolhemos definir as coisas não por estas qualidades citadas acima, mas pelo que muitos chamam de frutos do Espírito, destacando sempre o que é negativo e paralisante contra os outros e nós mesmos: a culpa, a mesquinhez a repressão, a neurose, a negação e o niilismo. O mundo em que todos se aceitam e se amam embora faça parte da nossa pregação nominal, nos é aterrorizante por natureza “ a gloriosa liberdade dos filhos de Deus” não nos interessa, porque vivemos em um mundo de superficialidade.
Enquanto estava no mundo percebi que as pessoas são livres da superficialidade das igrejas e da irrelevância burguesa das faculdades, um mundo que se define na prática e não através do discurso ou da demagogia, pela aceitação e pelo amor. Você pode estar se perguntando no mundo isso, duvido? Veja alguns exemplos.
Gente que vive tudo em comum, onde esta Mamom (dinheiro) sua vitoria?
Gente que ignora rótulos de classe, sexo e conta bancária para se tratar como gente no sentido mais fundamental da coisa.
Gente que se recusava ser manipulada pelo desejo e pelo temor, e o fazia entregando-se a um e mandando as favas o outro.
A comunhão que experimentam, descobri que não tem limites, sua generosidade, não espera recompensa que não no instante, não tem paralelo. Os pecadores abrem suas portas uns dos outros a qualquer momento do dia o da noite; repartem sua droga, seu dinheiro sua casa seu pão sem nenhum tramite ou transação sejam com um irmão importuno, seja com quem acaba de tropeçar. Emprestam terrivelmente, sem esperar receber de volta.
Carregam quem precisa ser carregado, descolam um trampo (trabalho) pra quem precisa, tiram a camisa para quem vomitou na roupa, emprestam a chave do carro para quem não tem onde fumar, providenciam o apartamento de alguém na praia para o que foi expulso de casa, repartem sem chiar ou cobrem o tanque de gasolina. Trabalham tanto para os outros como para si, acolhem com graça incondicional; são compassivos até para com os que não toleram, muitos são longânimos com todos que acham ser melhor rejeitar. Convivem sem traumas com a consciência e é apavorante para nós que não querem ser melhores que ninguém. Entre os pecadores não transita apenas a legitimidade de quem se recusa a ter o que esconder: rola um amor que lança fora todo medo.
Gente sensualista, mas raras vezes desonesta, autoindulgente, mas sempre generosa. Pecadora mas não proselitista. Matam-se, mas o que fazem pelos outros é só resgatar. Morrem, mas abraçados. Não é difícil entender porque Jesus curtia tanto a companhia dos pecadores e não escondia seu orgulho em associar-se a eles. Pois neles o espírito de Jesus sobrevive.
Não estou contra a igreja nem a instituição, simplesmente estou avaliando o que Jesus quis dizer em relação aos filhos do mundo e comparar com as nossas atitudes como cristãos/as. Estamos muitas vezes preocupados com qual cargo vamos ficar? Qual grupo de louvor toca nesse domingo? Qual é a linha teológica do pastor/a? Se o fulano tem unção ou não? Tanto orgulho, tanta hipocrisia, tanta mentira, tanta competição e sem perceber esquecemos o essencial. Os ímpios, filhos do mundo, os das trevas estão nos ensinando o que é a unidade, o que é a comunhão, o doar-se, o dar-se o ser verdadeiro administrador do Reino de Deus.
Me perdoe em dizer, mas com lágrimas em meu coração, a igreja reformada precisa-se reformar se atualizar, sair dos protocolos e rótulos pra ir para a fé, sair da mesmice e ir para a novidade, somos realmente um exército que está matando seus próprios soldados para que as pedras possam clamar.
Jesus se sentava com os pecadores, nós estamos fugindo deles, Jesus ensinava e aprendia com eles, nós nos preocupamos com a ornamentação da igreja. Cristo veio buscar aqueles que estão perdidos e nós continuamos lançando pérolas a quem não precisa. Jesus Cristo tabernaculou com os pecadores, por isso declarou que mesmo sem saber estes praticam o amor mútuo. Nós temos a salvação, temos a teoria, mas não exercemos a prática e o Senhor irá sempre elogiar o infiel. Devemos assim como Cristo criar tabernáculos eternos e sermos totalmente desprendidos em graça. “Pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”. (Ap 19.10b)
“Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. (1Pe 4.10)

Autor: ISrael A. da Rocha

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Inferno, Perdição ou Salvação?



“Eu os remirei do poder do inferno e os resgatarei da morte; onde estão, ó morte as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição? Meus olhos não vêem em mim arrependimento algum.” (Oséias 13.14) RA

Sobre o inferno. É difícil de entender o que é na verdade, pois assim como o céu, não há evidencias concretas e especificas de como é, e onde se encontra. Até o presente momento só existem folclore e especulações religiosas.
Então afinal o que é o inferno? Existe lago de fogo lá? É a residência do diabo?
Tudo o que não compreendemos criticamos, mas cada coisa tem o seu lugar na história e o seu contexto literário. Este texto não é dogmático nem sistemático, não se trata de um dossiê do inferno, mas uma reflexão que pode trazer luzes a alguns de nossos questionamentos.
Nosso dicionário da língua portuguesa descreve que inferno é: o “lugar em que ficam as almas dos pecadores após a morte, um lugar de tormento e suplica”. Mas na concepção bíblica do Antigo Testamento o termo inferno é conhecido como “xeol” que faz referencia ao destino final dos mortos, que significa lugar (subterrâneo) de todos os mortos, é a mesma palavra citada no versículo acima de Oséias. Quando a bíblia hebraica foi traduzida para o grego (cerca de 200 a.C) e para o Novo Testamento este termo tornou-se em “hades” também traduzido por sem visão e por morte (cf. At 2.27-31; Ap 1.18) também conhecido como lugar do julgamento. Também no Novo Testamento aparece o termo “geena” um abismo de fogo onde se castigavam as pessoas depois do juízo final (cf. Mt 25.41).
Na Bíblia em seu contexto hebreu/Judaico o inferno é um lugar de esquecimento e de morte não existe fogo nem inflama as almas e não é a casa do diabo, pois de acordo com o profeta Isaias: Lúcifer não desceu para o inferno e sim na “terra/mundo” (Is 14.12). Já no contexto helênico há uma mistura de ideologias, misturando culturas e mitos ao pensamento judaizante influenciando e gerando a mansão dos mortos, o lugar do julgamento, e do fogo/castigo eterno.
Falar de inferno, primeiramente temos que mencionar morte, pois estão totalmente conectados, temos também que anexar seu o antônimo céu. Pois não há paraíso se não houver inferno, não haverá inferno se não houver paraíso. Ao contrário do que muitos pensam o inferno ou a perdição eterna é a maior causa de que todos querem ir para o céu, o medo do inferno é um dos principais fatos que legitima o céu. Desde de o período medieval a igreja assustava seus fieis com o medo do inferno, para a cobrança de indulgências. Em suma o inferno era e ainda é utilizado mais para a salvação através do medo da perdição, de vidas que não conhecem o verdadeiro evangelho.
“Não há necessidade de fogo, o inferno são os outros” (Jean-Paul Sartre). Esta frase declara o pensamento iluminista que o inferno não é somente um lugar físico, mas também é um estado daquele/a que estão perdidos e separados de Deus para o mal. Concordo que o inferno não é somente um lugar especifico e também um estado, mas não concordo que inferno são os outros pois nossa salvação, vida e relação depende também do outro, pois Deus criou a humanidade para a coexistência uma relação de unidade em meio a diversidade (suas diferenças). “Inferno não é o outro, é a ausência do outro...” (V. de Moraes) ou seja a solidão o esquecimento eterno e ter tudo e não possuir nada. Creio que o inferno é tudo e todos que não refletem a Deus e estão distantes de sua vontade e presença displicentes de sua graça, portanto a nós cristãos nos cabe salvar as pessoas de sua solidão, morte, pragas e destruição pessoal como esta no versículo de Oséias, para que em arrependimento possamos ver o outro e não a nós mesmos...
“Devemos tirar as pessoas do inferno e o inferno das pessoas...” (A. Ramos) porque o inferno é um devorador faminto e voraz da humanidade nunca satisfeito e sempre pedindo mais. Que assim possamos não almejar o céu, o paraíso e a salvação por medo do inferno, mas sim por que nos encontraremos com quem amamos e com o autor e consumador da nossa fé! Que o inverno não seja um pretexto nem a razão de nossa fé, por que estaremos refém dele.
“O inferno e o abismo nunca se fartam, e os olhos dos humanos nunca se satisfazem”. (Provérbios 27.20)

Autor: Pr. Israel A. Rocha

domingo, 20 de dezembro de 2009

A Biblia em "Xeque Mate"

"Um livro pode mudar a vida inteira de uma pessoa" (Malcom X)
"Sou um homem de um Livro [Bíblia Sagrada] só..." (John Wesley)



“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 2.16-17)

Peguei recentemente uma revista super-interessante já antiga com o titulo: “Bíblia, palavra de Deus ou escrita por homens?” Tentando denegrir ou desmistificar as Sagradas Escrituras, tentando explicar a fé através da ciência. Tolice, ou melhor sendo mais claro, pessoas desocupadas.
Na verdade percebi que no ano deste fascículo outras revistas trouxeram o mesmo assunto tentar por a Bíblia em “cheque mate”.
Bom vou tentar contra argumentar ou argumentar junto sobre a Biblia, primeiro realmente quero afirmar que a Bíblia foi escrita sim, por pessoas como eu e você e me estranharia se fosse escrita por um cachorro ou uma girafa quem sabe, mas Deus já até usou uma mula pra falar por que não usaria um homem ou mulher para escrever seus conselhos.
Em segundo lugar a Bíblia é um livro de conselhos “divinos”, podemos dizer assim, fonte de “inspiração” de Deus para seus filhos/as, fonte de inspiração do eterno para alguns pobres mortais (Sl 119.105), que tem como intenção conduzir todos os seus leitores que vivem tortuosamente para caminhos de vida e de luz.
Em terceiro a bíblia é um mistério até hoje não é possível analisá-la somente cientificamente pois é uma coetânea de livros que apenas retrata a fragilidade humana, seus autores diversos diante das circunstâncias diversas, demonstraram que a revelação das verdades eternas, podiam se dar dentro de contextos geográficos, sociais e culturais distintos.
As Sagradas Escrituras revelam também a encarnação do divino, assim mostrando que Deus se fez pequeno como nós para nos demonstrar que é possível ser melhor, e com isso deixou de ser apenas uma especulação filosófica ou religiosa, e nisto esta sua singularidade. Diante disto faço algumas perguntas sobre a Bíblia:
Ela é a palavra de Deus?
Ela contém a palavra de Deus?
Ela se torna a palavra de Deus?
Neste mundo sedento por esperança, a Bíblia pode se tornar um manancial de vida, desde que volte a ser o livro de cabeceira que alimente a vida devocional e o alicerce dos princípios que nortearão as decisões do dia-a-dia.

“a Bíblia não diz o que é felicidade, mas que tipo de gente é feliz.” (Ariovaldo Ramos)


“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz e mais cortante que qualquer espada de dois gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” (Hb 4.12)
Autor: Israel Alcantara da ROcha

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Discipulado = aprendizado!


"Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido n'Ele: Se vós permanecedes em minhas palavras, sois verdadeiramente meus discipulos" (Jo 8.31) RA


O termo discipulo vem da palavra grega "mathetes" que significa aprediz, o discipulo é o que segue tanto os ensinamentos como o professor. Quando Cristo convidava alguém Ele convidava a segui-lo, e isso implica que seguir é estar onde ele esta, ir aonde Ele quer ir, também implica em ouvir e praticar seus ensinamentos.Hoje em dia vemos muitas pessoas seguindo seus discipuladores e não seguindo a Cristo, e isso me entristesse muito, saber que os deuses estão formando seus panteões e Cristo ainda hoje esta chamando a segui-lo.Para sermos discipulos devemos "ouvir" (a fé vem pelo ouvir) e sempre aprender e estar prontos a aprender, ou melhor prontos não, inacabados pois e existem etapas para nos tornamos discipulos:
1- Devemos crer n'Ele
2- Permanecer em seus ensinamentos
3- sois verdade-ira-mente/ ser verdade, irar-se contra o pecado e renovação da mente [meus discipulos].
Discipulado é aprendizado é sinonimo de crescimento não númerico e sim qualitativo e pessoal, que por sua vez resulta em milagres pessoais, devemos sempre aprender o que é discipulado pois é a chave do Reino de Deus, como Jonh Wesley declara como se é dada ação do discipulo:
"Da-me dez homens, que nada odeiem senão o pecado, que nada temam se a Deus e que nada busquem senão almas perdidas e eu transforamei o mundo em chamas" (Jonh Wesley)



Autor: Israel Alcantara da ROcha

O mal e a maldade...



"Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12.21)

“Se Deus é bom e Todo-poderoso por que não acaba com o mal? Ou é bom, mas não é todo-poderoso mas não é bom.” (Frase atribuída a Epicuro – Filósofo grego)

"O Mal, como proposto nessa frase, não existe. O mal como ente só existiria se um ser absoluto o assumisse como seu caráter.
O mal que existe é a maldade, que é um desejo, uma decisão,
um comportamento.
Coisa de criatura, não de criador.
Para Deus acabar com o mal tem de acabar com os maldosos.
Para acabar com os maldosos ele pode optar pela aniquilação
ou pela conversão.
Se optar pela conversão tem de oferecer o perdão.
Para oferecer o perdão tem de assumir o ônus cobrado pela justiça". (Ariovaldo Ramos)


Sabemos que fomos criados, todos nós fomos criados para louvor da glória de Deus, mas durante este processo de transformação e de justificação pela fé através de Cristo somos tentados e inclinados para todo o tipo de ação malidicente que nos atrai através de nossa cobiça e ego-ismo ou ego-centrismo e porque não dizer nossa ganância exacerbada.

Nenhum tipo de maldade vem de Deus, nenhum mal vem de Deus, pois Deus nosso pai das luzes é amor, não compactua com nenhuma tendencia ou inclinação para o mal, não existe forma ou essência do mau em Deus nem em sua dinvidade.

Agora como seres humanos que somos fracos e tolos podemos optar por qual das atitudes (Bem x Mal) devemos tomar a cada dia e a cada momento, dentro de nós esta a chave da vida e esta em nossas mãos a chave do poder da decisão, pois como já ouvimos: "mal é a ausência do BEM, como o frio é a ausência do calor e a mentira é ausência da verdade". Isso comprova que não somos absolutos nem completos mas Deus em sua plenitude escolhe dar-nos escolhas o que podemos chamar de livre-arbitrío contra o mal, o melhor contra a maldade que esta em cada um de nós e que podemos provocar. Como podemos observar não tem nada a ver com o "ying e yang", pois no Divino e Supremo não possui maldade e sim todo sinal de vida e de amor, nem o mal possui sinal de bondade mas em nós seres inferiores que estamos em um processo de evolução (Quenosis) e de transcendência a maldade esta a nossa volta e por que não dizer sendo causada em nós e através de nós.
A fé cristã, porém realmente segue outra lógica. Deus soberanamente decide valorizar as pessoas como seus cooperadores/as com Ele na construção da história. O mal, portanto, é inerente à liberdade que Deus soberanamente decidiu conceder aos humanos, existe simultaneo ao bem.
No espaço dessa contigência, o bem e o mal não são apenas possiveis, como podem ser potencializados e anulados pelo arbitrio dos filhos/as de Deus.
"Amado, não imites o que é mau, senão o que é bom. Aquele que pratica o bem procede de Deus; aquele que pratica o mal jamais viu a Deus". (3Jo 1.11) ARA
"Aparte-se do mal, e faça o bem; Busque a paz, e siga-a". (1Pe 3.9) ARCF


Autor: Israel Alcantara da ROcha